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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Ao Espírito da Terra

Foto de https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography/?pnref=lhc




Ainda que nem sempre caminhe descalça
e não sinta o teu pulsar,
ainda que viva em ti de forma tão distraída
que não veja as tuas luas,
mesmo nas noites em que te fazes presente
de forma tão prateada.


Ainda que me sinta tão distante
quando a melancolia me invade
Mesmo assim,
nada te esconde de mim.


Basta a tua leve brisa
que me chega com cheiro de algas
ou o eco das tuas tempestades
com o perfume das chuvas do Norte,
ou mesmo a tua melodia
quando cantas nos trovões


Nada te esconde de mim
E eu desperto carinhosamente


Desperto para o teu amor




terça-feira, 9 de maio de 2017

Apetece-me amar



Hoje apetece-me amar

Talvez sentir amar mais do que falar

Apetece-me calar a razão fria

e entregar-me ao amor

Eternizar o orgasmo

mesmo no sono inconstante


E amar-te

mesmo no fim do cansaço

Hoje, agora, apetece-me amar

Mesmo depois do ontem

Mesmo sem o amanhã

Até que nasçam lírios no céu



terça-feira, 18 de abril de 2017

Seria o mar



Seria o canto das sereias entoando o teu tango, que me fez recolher em ti o meu medo de amar.

Seria o mar que trouxe o teu fado e me encantou no teu mundo



terça-feira, 4 de abril de 2017

Desencontros


Há uma sabedoria divina na solidão, onde me reencontro vezes sem conta, ainda que nos cruzamentos cultive a arte do desencontro.
Esta forma de amar que me fere as asas e me deixa postada em tudo o que é condição, como se um dia o silêncio falasse e eu te aceitasse mesmo assim, desencontrado de mim.
Mas, talvez se deixares o teu sorriso para mim...


domingo, 19 de março de 2017

Pai



Quero escrever sobre ti, pai, talvez sobre a saudade escondida, talvez sobre a resignação de apenas te recordar


Quero escrever sobre ti, pai, talvez sobre esta tristeza camuflada de querer esconder um remorso injustificado


Talvez escrever o que nunca escrevi, talvez chorar nas palavras,…não sei


Quero escrever para ti…talvez só para te dizer que vives em cada palavra que ainda escreverei sobre ti…

sábado, 18 de março de 2017

A tua amoreira hoje deu flor, Pai




Quando saboreávamos o gosto das amoras

Disseste que serias essa amoreira

Enraizada na terra com folhas no céu

Que daria flor no inverno

E rosas no verão



Sabias viver apesar da proximidade do fim

Vivias para mim, para as tardes na amoreira

E eu chorava silenciosamente a dor

A minha dor, a tua dor, a dor do fim



A tua amoreira hoje deu flor

E eu amo-te silenciosamente



segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Silêncio




Há uma beleza inata nas palavras do silêncio,
como se de repente eu não precisasse de nada
se não desta brisa salgada que me enche o peito
e me faz esquecer que existem palavras

E este silêncio que faz de mim um poeta vazio
Refúgio incondicional de tudo o que vivo
Que me leva à condição de ser
Sem saber aquilo que sou

Amo a beleza do silêncio
A ignorância do vazio